Ministro do Interior de Israel declara escritor alemão Günter Grass persona non grata

O ministro do Interior israelense, Eli Yishai, declarou persona non grata em Israel o escritor alemão Günter Grass, que na última quarta-feira (04/04) publicou um poema crítico em relação ao país.

Segundo Yishai, o escritor “tenta reavivar as chamas de ódio contra o Estado de Israel e seu povo e, assim, promover uma ideia a qual foi partícipe no passado quando vestia o uniforme da SS (Tropa de Proteção nazista)”. Em 2006, o escritor revelou ao mundo que, no início de sua adolescência, chegou a ser treinado pelas tropas nazistas. No texto, Grass admite que suas opiniões poderiam ser confundidas com antissemistismo. 

Efe

O Nobel de Literatura Günter Grass exibe o poema “O que precisa ser dito”

No poema intitulado “O que precisa ser dito”, o prêmio Nobel de literatura de 1999 acusa Israel de colocar em risco a paz mundial e a possibilidade de que o arsenal nuclear israelense extermine o povo iraniano. Publicado em jornais de toda a Europa, o poema causou revolta tanto em setores de direita como de esquerda em Israel.

Yishai se referiu também aos elogios dos dirigentes iranianos ao poema: “Se Günter Grass deseja continuar a difusão de suas ideias falsas e distorcidas, sugiro que o faça no Irã, onde poderá encontrar um público favorável”.

O jurista israelense Moshé Hanebi, em entrevista ao jornal espanhol El Mundo, o jurista explicou que, em seu país, que conceito de ‘persona non grata’ só pode ser declarado pelo Ministério de Relações Exteriores ou pelo governo em uníssono. Como titular do Ministério do Interior, Ishai somente poderia evitar a entrada de Grass no país, informação confirmada pelos assesores de Yishai.

O primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu ainda não se pronunciou oficialmente sobre a declaração de Yishai. Na última quinta-feira, o premiê rebateu os argumentos de Grass ao afirmar que “é o Irã, e não Israel, que representa uma ameaça para a paz mundial”. “A vergonhosa comparação que fez entre Israel e o Irã, um regime que nega o Holocausto e defende a destruição de Israel, diz muito pouco sobre Israel e muito sobre o próprio Grass”, afirmou o primeiro-ministro em nota oficial.

O ministro de Relações Exteriores de Israel, Avigdor Lieberman, conhecido por seu viés conservador e ultranacionalista, também se somou ao coro contra as críticas de Grass: “Suas opiniões são uma expressão de cinismo por parte dos chamados intelectuais europeus que, para se promoverem ou venderem mais livros estão dispostos a sacrificar o povo judeu pela segunda vez no altar da loucura antissemtia”, disse o chanceler, confundindo o povo judeu com o Estado de Israel. “O difamatório e surrealista artigo de Grass foi apoiado basicamente pelos nazistas, a extrema-esquerda e o regime do Irã”, opinou Lieberman.

Para o embaixador de Israel na Alemanha, Emmanuel Nahshon, o poema segue a “tradição de outros tantos antissemitismos”. “Israel é o único Estado do mundo cujo direito à existência aparentemente se questiona”, acrescentou o diplomata.

A reação da embaixada foi parecida com a do Conselho Central dos Judeus na Alemanha, que qualificou Grass como “irresponsável” e considerou o poema um “agressivo panfleto de agitação”

Outro lado

Por sua vez, em entrevista ao jornal alemão Süddeutsche Zeitung, Grass reconheceu que poderia ter escrito o poema de forma diferente: “Eu evitaria o termo geral ‘Israel’ e esclarecia que me refiro ao atual governo Netanyahu”.

“O que critico é uma política que continua construindo assentamentos em desrespeito a uma resolução das Nações Unidas. Critico una política que se baseia cada vez mais em inimigos e que isola gradativamente o país O homem que atualmente causa mais dano a Israel é, em minha opinião, Netanyahu. E, por isso deveria tê-lo incluído no poema”.

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