Paixão e crime

Desculpar a cobiça que rouba, a inveja que detrata, o fanatismo que agride, o amor que assassina é favorecer que essas paixões violentas dominem a sociedade contra o ideal de educação e moralidade. As leis penais se dirigem ao aperfeiçoamento humano. Os chamados crimes passionais são o delito bárbaro das sociedades primitivas.

Conter os impulsos, domesticar os instintos, endereçar as paixões ao bem comum são deveres preteridos por uma tumultuária moda não apenas literária, mas filosófica, política, jurídica, social, doutrinária, científica.

O verdadeiro amor, honesto, doméstico, sem fartura de dinheiro e de tempo, nem pródigo nem ocioso, o santo amor de cada dia não pode ser criminoso. Celebrado é amor vadio dos parasitas sociais que, não tendo o que fazer ou pensar, cuidam apenas de abastecer de espasmos sua medula lombar. Pai e mãe desse amor aí estão: dinheiro e ociosidade. Celerado é o dessas máquinas de prazer, manequins de estofos e jóias, que não trabalham nem amam, mas vendem o corpo e a alma por tafularias e vaidades. Aos crimes desse amor, dobradas penas, para que eduque na regra de bem viver.

(Afrânio Peixoto)

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