O caso Euclides da Cunha: uma tragédia de Ésquilo, crônica escrita por Monteiro Lobato ( o maior devoto de Euclides)

“Tivemos aqui entre nós, em 1909, um perfeito caso de tragédia grega caracterizada pela presença invisível da deusa da fatalidade…A mim, tragédia Euclides-Dilermando me abalou profundamente. Sobre ela meditei muito tempo, dominado pela incerteza. Mas quando conheci todos os detalhes do processo, só então vi, senti em tudo a mãe glacial e inexorável da fatalidade – a mesma que levou aos seus crimes o inocente Orestes. E uma coisa até hoje me pergunto: haverá uma só criatura normal, dessas que olham Dilermando com horror, que, dentro do quadro daquelas circunstâncias, não fizesse a mesmíssima coisa? Que atacada por Euclides e o filho, tomados ambos de acesso de demência, não se defendesse, como Dilermando se defendeu? Se ponho a mão na consciência e me consulto, sou obrigado a confessar que, dentro daquelas circunstâncias, eu – o maior devoto de Euclides – agiria tal e qual Dilermando. O animal que há dentro de mim, ferozmente acossado pelo animal existente no atacante, reagiria em pura ação reflexo – e no ímpeto cego da legítima defesa mataria até o próprio Shakespeare”.

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