Nada melhor que um judas para espancar num sábado de aleluia

Em julgamentos criminais a palavra da defesa guarda sempre curiosidade.

Foi a Dra. Clarice Bida que me disse certa vez que se recusava a fazer memoriais orais, porque diferente do MP, que já tem sua tese acusatória construída desde a denúncia, a defesa começa sua estratégia a partir do depoimento do réu em juízo.

Essa curiosidade é uma faceta da compaixão.

O senso comum toma o réu por estranho, isolado, antissocial, monstruoso.

É mais fácil viver com um judas para espancar num sábado de aleluia que olhar para as nossas próprias baixezas morais, nem sempre criminosas.

(Um político que diz que não atenderá pacientes de um estado vizinho, porque não recebeu verbas do SUS não é pior que um homem que mata em legítima defesa?).

Se uma pessoa entrar agora no meu escritório descontrolado e sujo de sangue e disser “eu matei uma pessoa”, eu logo perguntarei, como qualquer pessoa “por quê?”, “e não como”.

A defesa criminal é a defesa da dignidade humana.

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