Andres Escobar foi assassinado dez dias depois de marcar gol contra na Copa do Mundo 1994

David Cannon/Getty Images

Andres Escobar foi assassinado dez dias depois de marcar gol contra na Copa do Mundo 1994

Há exatos 20 anos a Colômbia viveu uma das maiores tragédias esportiva e social de sua história. Em dois dias, disputará pela primeira vez as quartas de final de uma Copa do Mundo. Entre essas duas décadas, o país perdeu a batalha para a violência e, com a ajuda do futebol, se reergueu.

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O dia 2 de julho de 1994 ficará para sempre marcado para os colombianos pelo assassinato do zagueiro Andrés Escobar. Autor de um gol contra na Copa daquele ano, disputada nos Estados Unidos e que terminou com uma frustrante eliminação na fase de grupos, o jogador levou seis tiros após discussão com torcedores em um bar de Medellín.

“Escobar é lembrado sempre. Por toda a vida não nos esqueceremos dele”, afirmou Manuel Ramírez, da Rádio Tropical de Barranquilla.

A primeira metade dos anos 1990 foi muito complicada para a Colômbia, que vivia sob sob domínio velado de um outro Escobar, o narcotraficante Pablo. Andrés, dizem os jornalistas locais, foi apenas mais uma vítima da violência social.

Na época, muitos clubes de futebol eram sustentados pelo dinheiro do narcotráfico e isso refletia diretamente em pressão para cima dos atletas. Os colombianos tinham Valderrama, Rincón e Asprilla entre outros que compunham o que é considerada até hoje a melhor geração de jogadores da história do país.

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Shaun Botterill/Getty Images

Colômbia na Copa de 1994: Rincón, Asprilla e Valderrama e candidata ao título

Nas eliminatórias para a Copa 1994, uma goleada por 5 a 0 sobre a Argentina alimentou as expectativas. Até Pelé chegou a afirmar que a Colômbia chegaria ao Mundial como favorita ao título.

“Em 1994 foi como subir em uma montanha e depois cair em um abismo. Chegamos nos EUA achando que seríamos campeões depois de ganhar de 5 a 0 da Argentina, mas lamentavelmente as coisas não tinham ido bem”, afirmou Fernando Cotes Acosta, da RCN Rádio.

O problema é que muito havia mudado na Colômbia fora de campo. E para pior. Pablo Escobar era um criminoso que impunha respeito em outros criminosos. Desta forma, outros bandidos ficavam com medo e pode-se que assassinatos só aconteciam com a “permissão” do chefe. Com sua captura e morte em Dezembro de 1993, o país praticamente virou uma terra sem lei.

Shaun Botterill/Getty Images

Francisco Maturana, ex-técnico da Colômbia, diz que morte de Escobar foi problema social

“Era um momento de intolerância no qual as pessoas não discutiam, e sim brigavam. E não brigavam na mão, elas sacavam o revólver. O país vivia um momento em que qualquer um poderia ser assassinado”, lembrou Francisco Maturana, técnico da seleção colombiana na época.

Voltando para o futebol, dirigentes de clubes brigavam com a comissão técnica da seleção, pois cada um queria seus jogadores valorizados. A inesperada derrota na estreia da Copa para a Romênia por 3 a 1 acabou com a paz no elenco. Famílias de atletas eram ameaçadas.

A eliminação precoce foi selada com o revés por 2 a 1 contra os Estados Unidos. Um dos líderes do time e apelidado de “cavaleiro do futebol” devido a seu estilo leal de jogar, Andrés Escobar tentou cortar um cruzamento e marcou, contra, o primeiro gol da partida. Isso foi em 22 de junho de 1994. Dez dias depois ele estava morto.

“Sobre o episódio de Andrés Escobar, acreditamos que foi um acidente, uma briga de bar provocada pela bebida, uma coisa que não teve nada a ver com o que aconteceu no Mundial”, falou Acosta.

“Havia uma questão social, não esportiva. E então acontece uma coisa dessas e as pessoas ficam querendo fazer associações, dizer que foi por causa da Copa. Mas não! Não faz sentido, porque a única conexão é o motivo da discussão, mas não foi uma coisa planejada por termos feito isso ou aquilo ou porque não tínhamos vencido”, disse Maturana.

O assassinato contribuiu para que uma limpeza geral fosse colocada em prática no futebol colombiano. Muitos donos de clubes e até o ex-presidente da federação de futebol local foram presos. O dinheiro do narcotráfico e os times teriam que arrumar renda de outra forma O país voltou para a Copa em 1998, mas sem o mesmo brilho e sendo novamente eliminado na fase de grupos.

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James Rodriguez, Cuadrado e Martínez: Colômbia voltou a ter motivos para sorrir no futebol

E, chorando a morte de Escobar, a Colômbia passou os últimos 16 anos longe do Mundial. Até entrar em cena a equipe de Cuadrado, Jackson Martínez e James Rodriguez – e, claro, do lesionado Falcao García. Sem o mesmo peso e a pressão de duas décadas atrás, a seleção já faz a melhor campanha de sua história e está nas quartas de final.

“Em 1994 chegamos com esse pensamento de que seríamos campeões. Esse ano temos uma equipe séria, responsável, madura. Estamos vendo isso dentro de campo a cada jogo. E hoje já fizeram história”, afirmou Acosta.

Se o time colombiano vai ou não passar do Brasil na próxima sexta-feira em Fortaleza, ainda não se sabe. A única coisa da qual pode-se ter certeza é que, nas palavras de Andrés Escobar, “a vida não termina aqui”.

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