O Maranhão separatista (artigo do Prof. Hamilton Raposo)

Uma onda separatista se abateu sobre alguns brasileiros após o resultado das últimas eleições presidenciais. Alguns, por pura ignorância, sugeriram  o Brasil separado do norte e nordeste: o Brasil e o Brasil Nordeste como queiram. Tudo por causa de uma eleição.

O problema não é este, o problema é se o Maranhão se tornasse independente. Alguns problemas seriam resolvidos imediatamente. Um deles é o da merenda escolar. As prefeituras não passariam vexame e os prefeitos não seriam criticados nacionalmente. O cardápio deixaria de ser biscoito, sardinha em lata, macarrão e carne de soja com arroz lambe-lambe e passaria a ser manga com farinha d’água, farofa de torresmo, arroz com píqui, buriti e de sobremesa quebra-queixo ou roleto de cana, tudo sem aditivo químico, gordura trans ou outros incômodos à saúde, e com a vantagem de ter tudo no quintal.

O Professor Fernando Nascimento de Moraes costuma dizer que escola é local de aprendizagem e de saber e não restaurante ou lanchonete. Concordo em parte. Quando estudava e todos da minha época se recordam, que a merenda vinha de casa e era pão com ovo, manteiga ou com goiabada, refresco de maracujá ou Cola Jesus. Cantina servia mingau de milho ou de tapioca. Não existia coxinha, bomba, brigadeiro ou pastel. Todos corriam, andavam e comiam.

E se o Maranhão se tornasse independente outro problema estaria resolvido: teríamos heróis daqui mesmo, nenhum seria importado. Manoel Beckmam seria o nosso inconfidente, Francisco de Paula Gomes o nosso Burle Marx, Haroldo Tavares o Lucio Costa e Cleon Furtado o nosso Niemayer. Nego Cosme o Patrono do Exército Maranhense. O hino seria a toada de Humberto do Maracanã “Maranhão Meu Tesouro Meu Torrão”. A bandeira seria a mesma e o símbolo seria palmeira de babaçu. Não teríamos religião oficial, proponho a Casa das Minas como centro ecumênico. A moeda seria o Real para não dificultar os investidores brasileiros e brasileiros nordestinos. Tudo resolvido? Não.

Teríamos alguns problemas: 1) O prato típico não seria somente arroz de cuxá, mais também a pitininga, o jabiraca, o azeite de babaçu, o queijo de São Bento, o doce de espécie de Alcântara, a galinha de parida e quebra-queixo. 2) O maior problema para este país seria a questão da Academia de Letras, com tantos poetas e escritores, seria difícil indicar um número de patronos. Com uma autoestima superelevada todos desejariam ser acadêmicos maranhenses. A solução seria tornar todos os maranhenses e os que amam o Maranhão em imortais.

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