Crítica à delação premiada

“O castigo do mentiroso não é o de que deixam de acreditar nele, mas o de que passa a não acreditar em ninguém”, George Bernard Shaw. Qual é a segurança jurídica que se tem de uma delação feita por uma pessoa implicada num inquérito policial, que é premiada? E o que se sugere à pessoa não é que ela faça uma delação, porém que a faça na ótica dos acusadores.

“Fale o que a gente quer ouvir, que a gente faz o que você quer”. Em outras palavras, não minta, a não ser que você seja obrigado, no dizer de Leo Szilard.

Normalmente, não se segue o rito legal para a relaização disso. Somente se coloca na delação uma parte daquilo que é falado, o resto fica como informação exclusiva dos investigadores. Da conveniência faz-se uma investigação conveniente.

E isso é agravado pelo sigilo de uma investigação.

O decreto de sigilo de uma investigação não viabiliza o direito ao investigado de saber nada sobre a sua própria situação na investigação.

Qual é a pessoa normal que fica sabendo de uma investigação contra si e não tem a atitude de ir atrás para saber o que ocorre? Todavia o segredo somente pode ser rompido por iniciativa exclusiva daqueles que decretaram o sigilo.

Todavia, ele é rompido pelas autoridades que tinham que zelar pelo sigilo, quando as acusações acabam vazando para a mídia nacional. E com os nomes mais esdrúxulos para as operações pirotécnicas.

Há uma peça de Calderón de la Barca intitulada: “Tudo é mentira e tudo é verdade”.

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