Justiça demais é injustiça (ou o que é virtude se transformou em defeito)

Antigamente, o sujeito era Juiz, era Deputado, era Senador, era Promotor, tinha um cargo público importante, quando era acusado de um desvio, havia certa consideração com ele, certo respeito.
“Bem, ele é só um acusado, é um indiciado; vamos ver, vamos apurar isso com calma, porque um fato na vida não pode destruir uma reputação de 40 ou 50 anos”.
A presunção da condição de inocência é séria, e as medidas cautelares só se justificam também excepcionalmente. Hoje é o contrário. O sujeito que cai na infelicidade de ser parado numa blitz de trânsito diz assim: “Desculpe, eu tomei uma dose de vinho, desculpe. Foi mal, mas eu sou Deputado.
Veja o que você pode fazer por mim”. Ele vira as costas, liga para a imprensa e diz: “Olha, há um Deputado aqui querendo dar carteirada, há um Desembargador aqui querendo dar carteirada”.
Nós já tivemos centenas de episódios como estes. O que é virtude se transformou em defeito.

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