Durante protesto, desembargadora Kenarik Boujikian é atingida no rosto por bomba de efeito moral

Na última quarta feira, 31, a desembargadora e ativista dos direitos humanos Kenarik Boujikian foi ferida por estilhaços de uma bomba de efeito moral disparada pela Polícia Militar do Estado de São Paulo enquanto reprimia uma manifestação contra a deposição de Dilma Rousseff. Kenarik sofreu um corte no supercílio, mas passa bem.

Kenarik divulgou seu relato na página do Justificando no Facebook. Ocorrida no mesmo dia do Golpe, a manifestação de 31 de agosto foi uma das maiores até o momento, sendo superada em números apenas no último domingo. Junto de sua família, Kenarik foi uma das pessoas que estiveram na passeata que começou na Avenida Paulista e desceu pela Rua da Consolação de forma pacífica e sem o menor indício de violência.

Foi uma manifestação absolutamente pacífica, com brados e vários dizeres. Pude cantar várias delas, inclusive uma das minhas favoritas: “nem recatada e nem do lar: a mulherada tá na rua pra lutar!”

Entretanto, apesar de pacífica, a manifestação foi duramente reprimida – roteiro esse que se repetiu até o ápice do último domingo, quando mais pessoas puderam constatar de quem parte a primeira agressão.

Um grupo entrou na Rua Amaral Gurgel e uma parte ficou mais atrás, e começou a dispersão, porque as bombas começaram a pipocar. De longe eu via a fumaça se erguer e ouvia os estrondos. Não pensei que poderia ser atingida, dada a relativa distância que me encontrava.

Foi então, distante do foco da repressão, que a magistrada foi atingida na face por uma bomba de efeito moral, a qual assim que explode deixa estilhaços. Foram eles que cegaram a ativista Débora Fabri na última semana – Atravessei a rua em direção à Praça Roosevelt e estava quase em frente à Igreja da Consolação. De repente, um forte impacto na minha testa. Uma dor, uma ardência e o sangue jorrando, de modo que nem conseguia abrir o olho e não entendia o que estava acontecendo. Não sabia onde estava ferida e tossia muito porque a garganta também ardia.

Kenarik teve de ser socorrida pela filha. Levada ao hospital, recebeu quatro pontos no supercílio. Até o momento, o Tribunal de Justiça não se pronunciou sobre a atuação da polícia militar, nem sobre o ferimento da magistrada. Em entrevista ao outros canais, o Secretário de Segurança Pública, Mágino Alves Barbosa Filho, defendeu a ação da corporação nos protestos.

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