Os canibais continuam na sala de jantar

Meus constituintes em sua maioria são jovens. Isto me permite pensar que a imaturidade e o açodamento resultante da inexperiência os impulsionavam na direção do delito. Acredito nas suas recuperações, polidos pelo tempo e pela vida. O crime inspirava repulsa, ódio, condenação, mas também uma tímida piedade.

A Lava Jato e afins nos mostra histórias diárias de corrupção.Examino com perplexidade as fotos dos corruptos: a maioria com mais de 70 anos.

Num dos seus mais belos poemas, diz Borges: “A velhice pode ser nosso tempo de ventura. O animal morreu, ou quase morreu. Restam o homem  e a alma”. Ao ler os noticiários de televisão, uma enorme, uma imperdoável tristeza me domina. Em alguns homens – posso concluir – o animal não morre jamais.

O primeiro livro do jornalista Arnaldo Jabor chama-se Os Canibais Estão na Sala de Jantar. Trata-se de um livro de crônicas políticas de um também cineastra perplexo com tanta canalhice na política. Os Canibais Continuam na Sala de Jantar.

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